No blog dos editores da BBC Brasil do dia 26 foi publicado um texto de Rogério Simões que deixa clara a tendência da mídia em cultuar a trivialidade, contribuindo para envaziar ainda mais a mente dos leitores/telespectadores. Leia aqui alguns trechos do artigo "Celebridades por todos os lados": "Até dois meses atrás, eu não tinha idéia de quem era Lindsay Lohan [foto]. Após ver seu nome espalhado em seguidas manchetes de jornais populares, nas mãos de outros passageiros do meu ônibus diário, fiz uma rápida pesquisa no Google. Descobri que Lohan é uma atriz americana cujo currículo inclui filmes como "Mean Girls" e "Freaky Friday", cuja existência eu também desconhecia. Mas acabei reconhecendo um momento familiar de sua carreira: sua competente atuação no filme "Bobby", sobre o assassinato do senador Robert Kennedy, em 1968, que eu havia visto recentemente. ... "Entretanto, nada no currículo dessa bela jovem de 21 anos, às vezes loira, às vezes morena, justifica sua constante presença na mídia. Pouco se fala sobre seus planos profissionais, seja no cinema ou no mundo da música (a moça tem dois discos lançados). O assunto é sempre seus excessos, que nos últimos dias incluíram uma prisão por dirigir sob os efeitos do álcool. Nesta semana, na CNN International, uma apresentadora e uma repórter discutiam ao vivo, dentro do noticiário, a vida pessoal da atriz, como se fosse tão importante como o aquecimento global ou a guerra no Iraque. No programa de Larry King, também na CNN, o pai de Lohan, Michael, foi entrevistado para falar dos problemas enfrentados pela jovem. Sua prisão, as sucessivas internações e até o divórcio dos seus pais foram notícia no site em inglês da BBC. ...
"Que o público da Europa, dos Estados Unidos, do Brasil ou de qualquer parte do mundo se interessa por celebridades não é novidade. Mas a indústria que se desenvolveu em torno de pessoas famosas apenas por serem famosas é algo sem precedentes. A mídia, dos jornais ao YouTube, passando pelos canais de notícias 24 horas, está no centro desse fenômeno. A combinação é (quase) sempre a mesma: uma pessoa jovem, bonita e rica, com uma vida social agitada, transforma-se em objeto de consumo e obsessão de empresários, jornalistas e, o que é mais determinante, do público. ...
"Sites no Brasil chegam a publicar notícias do tipo 'Famosos vão ao teatro', o que parece ser suficiente para atrair o leitor. Estamos cercados, por todos os lados, de 'celebridades' de currículo duvidoso, que por sua vez vivem sob o cerco da mídia e do público. Se tal cerco é claramente apresentado como puro entretenimento, menos mal. Pior é quando o jornalismo se rende a notícias irrelevantes, sobre personalidades de fama inexplicável."
Nota: Parabéns, Rogério, pela análise perfeita do jornalismo diluído, tipo "papinha", que nos querem oferecer com o falso nome de "informação".
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